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Em breve






























NOTÍCIAS
I Workshop de Humanização no RN
| 4.9.2003 | 01h17

Hospital José Pedro Bezerra diz que Humanização é a riqueza 
Por Walter Medeiros 
 
A terça-feira, 15.07.2003, estava ensolarada na Zona Norte de Natal, capital do Rio Grande do Norte. O maior hospital daquela área funcionava normalmente, atendendo emergências, urgências, homens, mulheres, crianças, bebês prematuros. Mas no auditório, ao lado de imensa e bela pintura de uma mãe com o filho no colo, havia uma movimentação diferente. Diretores, funcionários e visitantes chegavam para uma reunião inédita: o I Workshop de Humanização do Hospital Dr. José Pedro Bezerra. 
 
O diretor geral, Dr. João Moreira lembrava antes do início do evento que cerca de oitocentas pessoas procuram aquela unidade todo dia, totalizando mais de vinte mil atendimentos a cada mês. Neste mesmo período, promove em torno de novecentos internamentos e quinhentos partos. Já na mesa dos trabalhos, abrindo o workshop, ele refere-se, orgulhoso, à equipe de triagem classificatória que foi implantada e está facilitando o serviço, ao mesmo tempo em que atende melhor as emergências. “Trata-se da organização da espera, que deixou de ser apenas técnica, para ser também humanizada”. 
 
Emocionado, o diretor diz que aquela atividade é uma missão, cujo objetivo é a atenção ao usuário, que pode melhorar. E cita o exemplo do tempo em que não existia a neonatologia e que conviviam com a expressão “parto inviável”, para explicar que hoje a situação é outra. Segundo ele, a missão é difícil, mas tem de ser encarada, tendo como prioridade o usuário. Para ele, a humanização tem de atingir a todos, inclusive aos servidores das secretarias de saúde, para que saibam e entendam que suas atividades afetam os interesses daqueles que estão lá nas unidades de saúde, muitas vezes esperando o andar da burocracia.  
 
Gandhi 
Em seguida, o representante do Programa Estadual de Humanização da Assistência Hospitalar, Dr. Tarcísio Gurgel, em rápidas palavras falou do sentido da humanização e dos seus avanços. E reforçou a necessidade da participação de todos, ao citar a frase de Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. 
O auditório estava cheio e silencioso, para ouvir a diretora técnica, Dra. Gizelda Teixeira, que falou da necessidade de humanização, apesar das dificuldades do dia-a-dia, do corre-corre, das doenças, das complicações e até mesmo dos salários baixos. Na sua opinião, a “humanização intermeia todos os outros projetos do hospital”. 
 
A Dra. Gizelda lembrou do tempo em que a permanência da mãe no hospital, de dia, durante a internação do filho, foi o primeiro grande passo da humanização no HJPB. Logo depois, o hospital ganhou o título de Amigo da Criança. Passou a funcionar a Comissão de Controle da Infecção Hospitalar. E veio o Programa de Aleitamento Materno; outro de Assistência às Vítimas de Agressão Sexual, Planejamento Familiar para parturientes e servidoras; o Projeto Nascer; o Programa de Qualidade no Serviço Público – PQSP; o Programa Mãe Canguru; o Banco de Leite Humano; e, por fim, o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar – PNHAH. 
 
Abordou projetos recentes, como o Projeto da Triagem, que dá prioridade aos atendimentos mais emergentes; o projeto Portas Abertas, que significa transparência administrativa ante usuários, servidores, comunidade e imprensa; o projeto Cuidar do Cuidador, que envolve a qualidade de vida para o atendimento; e a Preservação do Meio Ambiente. Mas a diretora disse que o hospital tem muito ainda a fazer, o que inclui melhoria na sinalização, implantação da triagem infantil; o combate ao tabagismo; e tratamento do necrotério, visando garantir a completa dignidade na morte. 
 
Desfile 
Como sempre acontece nos eventos de humanização, como que desvendando mistérios, após a fala da diretora abriu-se uma porta lateral. O cerimonial, conduzido de forma simples, porém impecável por uma servidora da contabilidade, Jailza, anunciou a passagem de servidores caracterizados para simbolizar as datas comemorativas que o hospital registra. 
Seguiram-se representações do Carnaval, onde são dadas orientações sobre a necessidade de alimentação para a saúde; Dia da Mulher, Dia das Mães, Páscoa, Festas Juninas, Natal, Dia da Alimentação e Qualidade de Vida e Dia da Beleza. Foi uma apresentação emocionante, que arrancou muitos aplausos e sensibilizou a todos, pelo seu profundo simbolismo. 
Chegou, então, a vez da área de recursos humanos falar sobre sua história e seus projetos, todos visando a valorização e o reconhecimento do trabalho do servidor. As assistentes sociais Alba e Rosineide falaram sobre a relação com o acompanhante e o trabalho do serviço social no projeto Mãe Canguru. 
 
Outro verdadeiro desfile de projetos veio através da enfermeira Edna Macedo, que falou sobre o Alojamento Conjunto, Apoio à Família e Amigo do Usuário, Terapia Ocupacional e Integração. Numa reflexão sobre as condições de atendimento dos hospitais particulares, ao fazer alusão ao calor humano encontrado no seu hospital, a enfermeira concluiu: “A humanização é a nossa riqueza”.  
 
Clima  
A experiência tem mostrado que ninguém falseia um clima organizacional: ou ele é bom ou não é. E naquele hospital percebe-se a cada momento que os servidores são dedicados, responsáveis e até abnegados, fazendo das suas tarefas cotidianas o que o diretor geral classificou de sua missão. 
Encerrada a reunião, foi servido um lanche simples para os participantes, que não paravam de demonstrar o entusiasmo com o que presenciaram naquela manhã. Boas surpresas, que estavam guardadas nos corações que se espalham todo dia naqueles corredores que salvam vidas. 
 
Mais surpresas ainda na UTI Neonatal, onde foram visitados aqueles bebês prematuros que ficam ali cercados de carinho de médicos, enfermeiros, auxiliares e, o mais importante: das mães. Que manhã! – exclamou um dos visitantes na saída, lembrando as palavras da enfermeira que contava todas as dificuldades do trabalho, mas ao final também fazia a sua exclamação: “vale a pena!”. 



 

Em breve









 
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