Hospital Regional da Asa Sul Dr. Mário Antônio A. Barbosa, Diretor RegionalHá três anos e cinco meses, ao assumir a Direção do então Hospital Materno Infantil de Brasília, hoje Hospital Regional Asa Sul, um hospital público, mantido exclusivamente com verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), embasado por formação Gerencial de curso de especialização em Gestão de Qualidade Total na área da Saúde, vinha encontrando dificuldade em implantar tal método Gerencial sem poder dispor de consultores que me auxiliassem naquela tarefa.
A Gestão de Qualidade Total, era ao meu ver, o único método conhecido que permitiria mudar a cultura organizacional, porém sua implantação tornava-se complexa em um hospital com carência de recursos financeiros e humanos. No ano de 2001, ao sermos inscritos no Programa Nacional de Humanização Hospitalar, surpreendi-me que um método tão simples, trabalhasse principalmente três dos seis pilares da qualidade, justamente o atendimento, a moral e a ética. Lembrei-me então de uma palestra proferida, há cerca de seis anos, pelo consultor da OPAS, Dr. Paranaguá de Santana, na qual desmistificava os métodos de implantação de Qualidade baseados em padronização e controle estatístico dos processos nascidos em fábricas de componentes de automóveis e transferidos para o ambiente hospitalar, advertindo que não lidávamos com veículos em linha de montagem, mas com seres humanos fragilizados, tomados de sentimentos, carências, dores e temores e que a abordagem dos mesmos deveria incluir amor, afetividade e humanização.
Em poucos meses de implantação já se pode notar não só o interesse que o assunto desperta, mas principalmente uma mudança de atitude dos servidores diante dos “clientes”, tanto interno quanto externo. Orgulham-se em trabalhar em um hospital que pratica a humanização e empenham-se em difundir este ideal, exteriorizando o que há de melhor dentro de si próprios. Comparo este sentimento coletivo ao de um braseiro coberto de cinzas que não difundia mais calor, mas que ao ser soprado e limpo das cinzas, não só volta a irradiar calor mas espalha-se rapidamente como fogo ardente.
Não podia, portanto, deixar de parabenizar o Ministério da Saúde por esta iniciativa simples, porém eficaz, que vem preencher uma lacuna gerencial, mesmo para hospitais que dispõem de recursos limitados, bem como não poderia deixar de enviar-lhes este depoimento principalmente no intuito de encorajar Gestores a apoiarem esta iniciativa, pois sabemos que nenhum método Gerencial obtém êxito em sua implantação se não tiver apoio incondicional da alta cúpula Gerencial da Organização, Secretaria Municipal ou Estadual.
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