Quinta-feira, 9 de setembro de 2010 :: 1.570.155 visitas       
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Em breve






























SALA DE LEITURA
Normas de atenção humanizada do recém-nascido de baixo-peso (método canguru)
Fonte: www.aleitamento.med.br

Área da Saúde da Criança e Aleitamento Materno 
Secretaria de Políticas De Saúde 
Ministério da Saúde 
Governo Federal 
 
I - Introdução 
 
Estas normas deverão ser observadas nas Unidades Médico-Assistenciais integrantes do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde-SUS. As Unidades que já possuem esse sistema de atendimento deverão manter o que vêm fazendo, introduzindo apenas as novas adaptações no sentido de melhorar a eficiência e eficácia da atenção Considerando que os avanços tecnológicos para diagnóstico e manuseio de recém-nascidos enfermos, notadamente os de baixo-peso, melhoraram de forma dramática as chances de vida desse grupo etário. Considerando que o adequado desenvolvimento dessas crianças é determinado por um equilíbrio quanto ao suporte das necessidades biológicas, ambientais e familiares, cumpre estabelecer uma contínua adequação tanto da abordagem técnica quanto das posturas que impliquem em mudanças ambientais e comportamentais com vistas a maior humanização do atendimento.  
 
A adoção dessa estratégia pode ser essencial na promoção de uma mudança institucional na busca de atenção à saúde, centrada na humanização da assistência e no princípio de cidadania da família Entende-se que as recomendações aqui contidas deverão ser consideradas como um mínimo ideal para a tomada de condutas que visem proceder a um atendimento adequado do recém-nascido de baixo-peso, com procedimentos humanizados, objetivando maior apego, incentivo ao aleitamento materno, melhor desenvolvimento e segurança, inclusive quanto ao manuseio e relacionamento familiar 
 
II - Definição 
 
Método Canguru é um tipo de assistência neonatal que implica em contato pele a pele precoce, entre a mãe e o recém-nascido de baixo-peso, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo dessa forma uma participação maior dos pais no cuidado ao seu recém-nascido A posição canguru consiste em manter o recém-nascido de baixo peso, ligeiramente vestido, em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito do adulto Só serão considerados como "Método Canguru" os sistemas que permitam o contato precoce, realizado de maneira orientada, por livre escolha da família, de forma crescente, segura e acompanhado de suporte assistencial por uma equipe de saúde adequadamente treinada 
 
III - Vantagens 
 
aumentar o vínculo mãe-filho menor tempo de separação mãe-filho, evitando longos períodos sem estimulação sensorial estímulo ao aleitamento materno, favorecendo maior freqüência, precocidade e duração maior competência e confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo-peso mesmo após a alta hospitalar melhor controle térmico menor número de recém-nascidos em unidades de cuidados intermediários devido a maior rotatividade de leitos melhor relacionamento da família com a equipe de saúde diminuição de infecção hospitalar menor permanência hospitalar 
 
IV - População a ser atendida 
 
Gestantes com situações clínicas ou obstétricas com maior risco para o nascimento de crianças de baixo-peso Recém-nascidos de baixo-peso, desde o momento de admissão na Unidade Neonatal até a sua alta hospitalar, quando deverão ser acompanhados por ambulatório especializado Mães e pais, que com suporte da equipe de saúde deverão ter contato com o seu filho o mais precoce possível e com orientação adequada participar do programa 
 
V - Aplicação do método 
 
O método será desenvolvido em três etapas: 
 
1ª Etapa 
 
Período após o nascimento de um recém-nascido de baixo-peso, que impossibilitado de ir para o alojamento conjunto, necessita de internação na unidade. Os procedimentos nessa etapa deverão seguir os seguintes cuidados especiais: 
 
1.1 Orientar a mãe e a família sobre as condições de saúde da criança, ressaltando as vantagens do método. Estimular livre e precoce acesso dos pais à Unidade Neonatal, propiciando sempre que possível o contato tátil com a criança. É importante que essas visitas sejam acompanhadas pela equipe assistencial, para que orientações como: medidas de controle de infecção (lavagem adequada das mãos), informações sobre os procedimentos hospitalares utilizados e as particularidades ambientais possam ser melhor compreendidas pela família. 
 
Nessa etapa deverão ser iniciadas medidas para estímulo a amamentação. Dessa forma, cuidados com as mamas, ordenha manual e armazenagem do leite ordenhado devem ser ensinados. A co-participação da mãe no estímulo à sucção, na administração do leite ordenhado, além dos cuidados de higienização devem ser implementados. 
 
Nas situações que as condições clínicas da criança permitirem, deverá ser iniciado contato pele a pele direto, entre mãe e criança, progredindo até a colocação do recém-nascido sobre o tórax da mãe ou do pai. 
 
1.2 Ressaltar sempre a importância da atuação da mãe e da família na recuperação da criança. 
 
1.3 Após o parto, os primeiros cinco dias deverão ser utilizados para prestar todos esses ensinamentos à mãe e à família. Portanto deve ser assegurado à puérpera a permanência na unidade hospitalar, pelo menos durante esse período, recebendo todo o suporte assistencial necessário. 
 
1.4 Decorrido esse início, as crianças que não preencherem os critérios de entrada na etapa seguinte (2ª) e havendo necessidade da volta da mãe ao domicílio, deverá ser assegurado a puérpera as seguintes condições: 
 
a) vinda diária à unidade hospitalar onde manterá contato com o seu filho, receberá orientação e manterá a ordenha do leite. 
b) auxílio para passagem em transporte coletivo, para vinda diária à unidade de saúde. 
c) refeições, durante a permanência diurna na unidade (lanche pela manhã, almoço e lanche à tarde). 
d) espaço adequado para a permanência, que permita descanso e possa ser utilizado para palestras. Esse espaço servirá também para congraçamento entre as mães o que propiciará maior confiança materna. 
e) o pai terá livre acesso à unidade e será estimulada a sua participação nas reuniões com a equipe de saúde. 
 
2ª Etapa 
 
O recém-nascido encontra-se estabilizado e poderá ficar com acompanhamento contínuo pela sua mãe. Nessa etapa, após o período de adaptação e treinamento realizados na etapa anterior, a mãe e a criança estarão aptas a permanecerem em enfermaria conjunta onde a posição- canguru será realizada pelo maior tempo possível. Essa enfermaria funcionará como um "estágio" pré alta hospitalar da díade mãe e filho. 
 
2.1 São critérios de elegibilidade para a permanência nessa enfermaria: 
 
2.1.1 Da mãe 
 
a) certificar-se que a mãe quer participar e tem disponibilidade de tempo e que haja rede social de apoio. 
b) assegurar que a decisão seja tomada através de consenso entre mãe, familiares e profissionais de saúde. 
c) capacidade de reconhecer as situações de risco do recém-nascido ( mudança de coloração da pele, pausas respiratórias, regurgitações e diminuição de movimentação). 
d) conhecimento e habilidade para a colocação da criança em posição canguru. 
 
2.1.2- Da Criança 
 
a) estabilidade clínica. 
b) nutrição enteral plena ( peito, sonda gástrica ou copo ) 
c) peso mínimo de 1250g. 
d) ganho de peso diário maior que 15g. 
 
2.2 Para que haja ganho de peso, deve-se garantir a amamentação a cada duas horas no período diurno e a cada 3 horas no período das 00:00 - 06:00h. 
 
2.3 Às crianças que não apresentarem ganho adequado de peso, deve ser realizado complementação láctea com leite posterior da própria mãe via sonda gástrica ou copo. 
 
2.4 A utilização de medicamentos orais (complexo vitamínico, medicação contra o refluxo gastro-esofágico, xantinas e etc.) não contra-indica a permanência nessa enfermaria. 
 
2.5 A administração de medicação intra-venosa intermitente, através de dispositivo intra-vascular periférico, também não contra indica a permanência em posição-canguru. 
 
2.6 São critérios para a alta hospitalar com transferência para a 3ª etapa: 
 
a) mãe segura, bem orientada e familiares conscientes quanto ao cuidado domiciliar da criança. 
b) mãe psicologicamente motivada para dar continuidade ao trabalho iniciado na maternidade. 
c) compromisso materno e familiar para a realização do método por 24 horas/dia. 
d) garantia de retorno à unidade de saúde e ter conhecimento que esse retorno é necessário de maneira bastante freqüente. 
e) peso mínimo de 1500g. 
f) criança com sucção exclusiva ao peito e ganho de peso adequado nos três dias que antecederem a alta. 
g) se houver necessidade de complementação da dieta, que essa não esteja sendo ministrada por sonda gástrica. 
h) condição de acompanhamento ambulatorial assegurada, sendo que na primeira semana a freqüência deverá ser de 3 consultas, na segunda semana duas consultas e da terceira semana em diante pelo menos uma consulta até o peso de 2500g. 
i) condição de recorrer à unidade hospitalar de origem a qualquer momento de urgência quando ainda na terceira etapa. 
 
3ª Etapa 
 
3.1 Ambulatório de acompanhamento. 
 
São atribuições do ambulatório de acompanhamento: 
 
a) realizar exame físico completo da criança tomando como referências básicas o grau de desenvolvimento, ganho de peso, comprimento e perímetro cefálico, levando-se em conta a idade gestacional corrigida. 
b) avaliar o equilíbrio psico-afetivo entre a criança e a família. 
c) corrigir as situações de risco como: ganho inadequado de peso, sinais de refluxo, infecção e apnéias. 
d) orientar e acompanhar tratamentos especializados tais como: exame oftalmológico, avaliação audiométrica e fisioterapia motora. 
e) orientar esquema adequado de imunizações. 
 
3.2 O seguimento ambulatorial deve apresentar as seguintes características: 
 
a) ser realizado por médico treinado e familiarizado com o seguimento do recém-nascido de risco. 
b) observar a periodicidade já referida em item anterior. 
c) ter agenda aberta, permitindo retorno não agendado caso a criança necessite. 
d) a criança é que determinará o tempo de permanência em posição-canguru, de modo geral isso ocorre quando esta atinge o termo ou o peso de 2000g. 
e) após o peso de 2500g, o acompanhamento passa a ser orientado de acordo com norma para acompanhamento de crescimento e desenvolvimento do Ministério da Saúde.  
 
VI - Recursos para a implantação 
 
1 - Recursos Humanos 
 
Recomenda-se que toda a equipe de saúde responsável pelo atendimento da díade mãe e filho, conheça toda a extensão e importância do método e esteja adequadamente treinada, para que esse possa ser exercido de maneira plena. Enfatizamos portanto a necessidade da mudança de comportamento e filosofia profissional para que a implantação dessa atenção humanizada não sofra solução de continuidade em nenhuma de suas etapas. Sempre que possível essa equipe multiprofissional deve ser constituída por: 
 
a) Médicos 
 neonatologistas (cobertura de 24 horas)  
 obstetras (cobertura de 24 horas)  
 pediatras com treinamento em seguimento do RN de risco  
 oftalmologista  
b) Enfermeiras (cobertura de 24 horas) 
c) Auxiliares de enfermagem (na 2ª etapa uma auxiliar para cada 6 binômios com cobertura de 24 horas) 
d) Psicólogos 
e) Fisioterapeutas 
f) Terapeutas ocupacionais 
g) Assistentes sociais 
h) Fonoaudiólogos 
i) Nutricionistas 
 
2 - Recursos Físicos 
 
2.1 Os setores de terapia intensiva neonatal e de cuidados intermediários deverão obedecer as normas já padronizadas para essas áreas e permitir o acesso dos pais com possibilidade de desenvolvimento do contato tátil descrito nas Etapas 1 e 2 dessa norma. É importante que essas áreas estejam adequadas à permitir a colocação de assentos removíveis (cadeiras - bancos) para inicialmente facilitar a colocação em posição canguru. 
 
2.2 Os quartos ou enfermarias para a 2ª Etapa deverão obedecer a norma já estabelecida para alojamento conjunto, com aproximadamente 5m² para cada conjunto leito materno/berço do recém-nascido. 
 
2.3 Recomenda-se que a localização desses quartos permita facilidade de acesso ao setor de cuidados especiais. 
 
2.4 Objetivando melhor funcionamento, o número de díades por enfermaria, deverá ser de no máximo 6.  
 
2.5 Os postos de enfermagem deverão se encontrar próximo à essas enfermarias. 
 
2.6 Para cada enfermaria são necessários banheiro ( com dispositivo sanitário, chuveiro e lavatório) e um recipiente com tampa para recolhimento de roupa usada. 
 
3 - Recursos materiais 
 
3.1 Na 2ª etapa, na área destinada a cada díade, serão localizados: cama, berço (de utilização eventual mas que permita aquecimento e posicionamento da criança com a cabeceira elevada), aspirador a vácuo central ou portátil, cadeira e material de asseio. 
 
3.2 Balança pesa bebê, régua antropométrica, fita métrica de plástico e termômetro. 
 
3.3 Carro com equipamento adequado para reanimação cárdio - respiratória que deverá estar localizado nos postos de enfermagem. 
 
VII - Avaliação do método 
 
1. Sugere-se que periodicamente sejam realizadas as seguintes avaliações: 
 
a) morbidade e mortalidade neonatal. 
b) taxas de reinternação. 
c) crescimento e desenvolvimento. 
d) grau de satisfação e segurança materna e familiar. 
e) prevalência do aleitamento materno. 
f) desempenho e satisfação da equipe de saúde. 
g) dos conhecimentos maternos adquiridos quanto aos cuidados com a criança. 
h) do tempo de permanência intra-hospitalar. 
 
2. A equipe técnica da Saúde da Criança/MS dispõe-se a fornecer modelo de protocolo para obtenção dos dados dessas avaliações. 
 
VIII - Normas gerais 
 
1. A adoção do "Método Canguru" visa fundamentalmente uma mudança de atitude no manuseio do recém-nascido de baixo-peso com necessidade de hospitalização e da sua família. 
 
2. O método descrito não é um substitutivo das unidades de terapia intensiva neonatal nem da utilização de incubadoras, já que estas situações têm as suas indicações bem estabelecidas. 
 
3. Não deve ser considerado que o método objetive apenas economizar recursos humanos e recursos técnicos, mas fundamentalmente aprimorar a atenção. 
 
4. O início da atenção adequada ao RN antecede ao período do nascimento. Durante o pré-natal é possível identificar mulheres com maior riso de recém-nascidos de baixo-peso e à essas mulheres deve ser oferecido informações sobre cuidados médicos específicos e humanizados. 
 
5. Nas situações em que há risco de nascimento de crianças com baixo-peso é recomendável encaminhar a gestante para cuidados de referência, uma vez que esta é a maneira mais segura. 
 
6. Na segunda etapa não se estipula obrigatoriedade de tempo em posição- canguru. Essa situação deve ser entendida como um fato que ocorra baseado em segurança no manuseio da criança, prazer e satisfação da criança e da mãe. 
 
7. Na terceira etapa, para maior segurança, recomenda-se a posição-canguru em tempo integral. 
 
8. Deverá ser estimulada também a participação do pai e outros familiares na colocação da criança em posição-canguru. 
 
9. A presença de berço no alojamento da mãe e filho, com possibilidade de elevação da cabeceira, permitirá que a criança ali permaneça na hora do exame clínico, durante o asseio da criança e da mãe e nos momentos que a mãe e a equipe de saúde acharem necessários. 
 
10. São atribuições da equipe de saúde: 
 
a) orientar a mãe e a família em todas as etapas do método. 
b) oferecer suporte emocional e estimular os pais em todos os momentos. 
c) encorajar o aleitamento materno. 
d) desenvolver ações educativas abordando conceitos de higiene, controle de saúde e nutrição. 
e) desenvolver atividades recreativas para as mães durante o período de permanência hospitalar. 
f) participar de treinamento em serviço como condição básica para garantir a qualidade da atenção. 
g) orientar a família na hora da alta hospitalar, criando condições de comunicação com a equipe e garantir todas as possibilidades já enumeradas de atendimento continuado. 



 

Em breve









 
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