Segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 :: 1.373.994 visitas       
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Em breve






























SALA DE LEITURA
Reflexões sobre o conceito de humanização
Rosana Onocko Campos

Significado 
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“When I use a word”, Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, “it means just what I choose it to mean- neither more nor less” (CARROLL, 1960: 188)  
 
Para o dicionário, humanização é o ato de humanizar, que por sua vez significa: 
1. Tornar humano; dar condição humana a; humanar. 
2. Tornar benévolo, afável, tratável; humanar. 
3. Fazer adquirir hábitos sociais polidos; civilizar. 
4. Bras., CE. Amansar (animais). 
5. Tornar-se humano; humanar-se. 
 
Esta primeira consulta semântica leva-nos à pergunta: o quê é o humano? Será que podemos neste começo de século assumir que é humano o que é afável, benévolo, como diz o Aurélio? Ou o que é manso? Ou que ainda precisaríamos civilizar-nos?  
 
Desde Freud e Marx já sabemos que também faz parte do humano a exploração do outro, a alienação, a agressão, o equívoco e a culpa. Os neo-biologisistas querem nos convencer de que somos produto – pura e simplesmente – da combinatória genética. Os neo-relativistas querem nos convencer de que todo é inter-subjetivo e relativamente justificável. E o social? O social foi para o fundo da gaveta pós-moderna, sai de vez em quando, somente para se justificar que nada de novo é possível no mundo humano.  
 
Defenderemos a posição de que humano quer dizer humano, ou seja: biológico, subjetivo e social. “E”: soma. Múltipla determinação, somos isso o tempo todo, misturado, inseparável, ao mesmo tempo. Não paro de ser biológica quando amo, ou quando me submeto. Continuo a ser sujeito quando me rebelo as injustiças. Não deixo de ser socialmente produzida no momento do meu ódio mais raivoso... 
 
Se esta multiplicidade vale para todos os humanos, vale também para os constructos humanos, que nem o caso dos serviços de saúde, dentre eles os hospitais, objeto do projeto em discussão. 
 
Quem pretende explicar a existência de hospitais como uma organização destinada a tratar do corpo biológico se equivoca, cometendo uma redução. Ainda que nos hospitais prime uma ênfase nos processo curativos que operam sobre o corpo (biológico), eles mantêm sua condição de produto social, e de espaço de trocas inter-subjetivas. Trocas que acontecem sobre os corpos, nos corpos e além dos corpos biológicos.  
 
O sujeito está numa mesa cirúrgica, anestesiado: ele está nesse momento reduzido ao grau máximo de coisificação, de corpo biológico puro. Contudo não foi assim dez minutos antes, nem o será dez minutos depois da operação. Nem estão reduzidos ao nível de máquinas os outros humanos que ali estão trabalhando. Alguém já se imaginou sendo operado por um cirurgião que na noite anterior teve uma terrível briga com a amante? Neste momento deve haver 500 cirurgias acontecendo nessas circunstâncias... A enfermeira diluindo potássio enquanto pensa no filho doente... Essas coisas acontecem o tempo todo! 
 
Há uma produção social, que protege as pessoas dos erros, que tem caído em desprestígio ultimamente, e é a formação técnica. Não se erra mais do que a conta porque as pessoas sabem o que estão fazendo, foram treinadas, profissionalizadas. Como entramos na era “inter”, parece que essa interdisciplinariedade tão almejada pudesse ser empreendida com o vazio como ponto de partida. Questionamos essa simplificação, que não é inócua, pelo contrário, tem sido danosa em algumas experiências que conhecemos. 
 
Propomos que o que deve ser interrogada é a identidade profissional, não somente em relação as competências técnicas, mas as suas finalidades.  
A pergunta teleológica por excelência interroga o sentido das práticas e dos saberes. “A que se destina?” – diria o poeta Caetano ou “Para qué?” – o sanitarista Mario Testa. Nos dois casos o interrogante está colocado nas finalidades.  
 
Quando Marx fala de alienação mostra que o trabalhador não sabe “para que” trabalha. Ele não sabe que ao mesmo tempo que produz seu trabalho concreto, está cumprindo com as regras de produção do trabalho abstrato. O que ele não sabe, o que lhe foi retirado de sua compreensão, é a possibilidade de entender que, ao mesmo tempo que produz valor de troca está produzindo valor de uso, e acumulação de mais-valía.  
“A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso” disse Marx (1985: 45) Esses valores são socialmente determinados e pensamos que interrogá-los pode ajudar às pessoas que trabalham a procurar o sentido do seu trabalho. A pergunta sobre o Valor de Uso do trabalho, pode contribuir para indagar as finalidades, o para quê do trabalho. Campos (2000) propôs pensar as instituições de saúde como produtoras de Valor de Uso, tanto no sentido da eficácia das práticas sociais que ali se desenvolvem, como da possibilidade de produção nelas de novas formas de subjetivação, capazes de tornar aos sujeitos que nelas trabalham mais livres e prazerosos. Pensamos que este argumento e sua exploração têm conseqüências interessantes: os sujeitos que trabalham são também objetivo e finalidade da organização, não podem mais ser pensados e tratados como meios (a clássica definição dos recursos humanos).  
 
Sentido 
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“Would you tell me, please, which way I ought to go from here?” 
“That depends a good deal on where you want to get to” – said de Cat. 
“I don’t much care where ...” – said Alice. 
“Then it doesn’t matter which way you go,” said the Cat. 
“... so long as I get somewhere,” Alice added as an explanation. 
“Oh, you’re sure to do that,” said the Cat, “if you only walk long enough.” (CARROLL, 1960: 64-65) 
Para Gadamer “aquele que atua lida, antes, com coisas que nem sempre são como são, pois que podem ser também diferentes (...) Seu saber deve orientar seu fazer” (1997: 468). Neste ponto, esse autor resgata a ética aristotélica, pois o direcionamento do saber sobre o fazer aparece de maneira exemplar na tekne (técnica). Mas será que o homem pode projetar-se a si mesmo como seu próprio eidos (ideal), já que é evidente que o homem não dispõe de si mesmo como o artesão dispõe da matéria com a qual trabalha? O conceito de phronesis (prudencia) é então analisado, sendo distinguido do de tekne. Uma tekne se aprende e pode se esquecer, mas na aplicação (das leis por exemplo) Aristóteles não fala de tekne e sim de phronesis. Para Gadamer, com esta conceitualização feita por Aristóteles se torna patente uma modificação fundamental da relação conceitual entre meios e fins, que é a que constitui a diferença entre o saber ético e o saber técnico.  
 
Dada uma tekne, é preciso aprendê-la e com isso saber-se-á escolher os meios idôneos, o saber ético requer, sempre, buscar conselho consigo próprio. Portanto, para esse autor, é falso que com a expansão do saber técnico poder-se-ia prescindir do saber ético. “O saber ético não poderá nunca revestir o caráter prévio (...) A relação entre meio e fim não aparece aqui nos moldes que se pode dispor com anterioridade de um conhecimento dos meios idôneos, e isso pela razão de que o saber do fim idôneo não é, por sua vez, mero objeto de um saber” (Ibidem: 477) A ponderação dos meios é também uma ponderação ética, e só através dela se concretiza a correção ética do fim adequado. O saber-se aristotélico contem a aplicação completa e aciona seu saber na imediatez da situação dada.  
Jullien é outro autor que procura em Aristóteles as origens dessa longa viagem empreendida pela civilização ocidental. “Pode essa eficácia do modelo que constatamos no nível da produção (poiesis) valer também no domínio da ação, o da praxis? (...) mesmo quando as ‘coisas’ se tornam as questões humanas, não se deixaria de gostar de permanecer na tranqüilizadora posição de ‘técnicos’- artífices ou demiurgos. Ora, sabemos muito bem, e Aristóteles é o primeiro a reconhecê-lo, que, se a ciência pode impor o seu rigor às coisas, ao pensar na necessidade delas, do que resultará eficácia técnica, nossa ação, com relação a ela, assenta-se num fundo de indeterminação; ela não conseguiria eliminar a contingência e sua particularidade resiste à generalidade da lei (...) o mundo jamais é inteiramente acolhedor a essa ordem que queremos para ele: subsistirá inevitavelmente uma diferença entre o modelo que projetamos para agir e aquele que, com os olhos fixos acima, conseguimos realizar. Em suma, a prática sempre trairia um pouco a teoria” (JULLIEN, 1998: 16) 
 
Esse autor analisa a falha entre teoria e prática como um fracasso inaceitável para a filosofia ocidental. Poderia ela deixar o homem tão desarmado? Incapaz de manobrar e triunfar em seus projetos? Aristóteles teria identificado uma faculdade capaz de dar conta da mediação teoria – prática. Seria essa a “prudência” (phronesis). A prudência não seria então uma ciência, mas tampouco uma arte, no sentido da tekne, já que ela visa a praxis (a ação) e não à produção. Aristóteles opõe o prudente ao hábil (deinos) Diz Jullien: “(...) enquanto a habilidade é a capacidade de combinar os meios mais eficientes, sem consideração pela qualidade do fim, já a prudência se preocupa com isso” (Ibidem: 19). 
 
Também Gadamer considera que, em Aristóteles, a contra-imagem da pronesis é o deinos. E acrescenta: “O deinos exerce sua habilidade sem guiar-se por um saber ético, e, por conseguinte, desenvolve seu poder sem freios e sem orientação que tenha em vista fins éticos. E não pode ser casual, que aquele que é mais hábil nesse sentido seja nomeado com uma palavra que significa também ‘terrível’. Nada é tão terrível, tão espantoso (...)” (Op. Cit.: 481) 
 
Jullien interroga: “(...) não seria antes porque o instrumental teórico grego (que continua sendo em grande parte o nosso) não conseguiria apreender esse perpétuo movimento no qual se debate a ação? O fato é que essa eficácia prática, pelo menos do lado grego (...) permanece impensada” (Op. cit.: 22) 
Esse autor mostra que o pensamento chinês desconhece logicamente a relação teoria-prática. Todo o real se lhe apresenta como um processo, decorrente da interação dos fatores em jogo (ao mesmo tempo opostos e complementares: o yin e yang). A ordem não decorreria do modelo (ideal), mas está contida no curso do real: daí o tema onipresente no pensamento chinês do caminho (o tao). A sabedoria chinesa apoia-se no potencial da situação, no deixar-se levar pela propensão: aquilo pode nos portar. 
 
Jullien lembra as ilustrações chinesas de imagens de torrentes que podem arrastar pedras, ou de balestras esticadas: elas obtém potencial, fazem-lo advir, formam dispositivo. “Saímos, assim, de uma lógica do modelo (a de um plano-modelo que vem dar forma às coisas) como também da encarnação (uma idéia-projeto que vem concretizar-se no tempo), para entrar em uma lógica de desenvolvimento: deixar o efeito implicado desenvolver-se por si mesmo em virtude do processo iniciado” (Op. cit.: 36) No pensamento chinês encontra-se uma idéia sobre a eficácia que não precisa passar pela questão do meio-fim: “ela resulta não de uma aplicação (...) mas de uma exploração” (Op. Cit.: 48) “Pois não basta que a ação seja bem intencionada, para ser meritória, ela deve também ser bem sucedida; e, em face da indeterminação das coisas, essa realização não pode eliminar todo perigo e toda aventura” (Ibidem: 51 grifo nosso).  
 
Pensamos que este movimento de se voltar sobre as finalidades do próprio trabalho, e as suas conseqüências é próprio da práxis, no sentido que lhe outorga Castoriardis: “Chamamos de praxis este fazer no qual o outro ou os outros são visados como seres autônomos e considerados como agente essencial da sua própria autonomia. A verdadeira política, a verdadeira pedagogia, a verdadeira medicina, na medida que algum dia existiram, pertencem à praxis.” (1982: 94) 
Para esse autor, também a práxis não pode ser reduzida a um esquema de fins e meios. A práxis jamais pode reduzir a escolha de sua maneira de operar a um simples cálculo, pois ela não pode ser justificada por um saber prévio, à maneira da técnica (e isto não significa que não possa justificar-se). “Ela se apóia sobre um saber, mas este é sempre fragmentado e provisório. É fragmentário, porque não pode haver teoria exaustiva do homem e da história; ele é provisório, porque a própria práxis faz surgir constantemente um novo saber” (CASTORIARDIS, Op. Cit.: 95).  
Para esse autor, a práxis se apoia em um saber “efectivo”, que é limitado e provisório como todo o que é efectivo. A práxis só pode existir na lucidez. “Sendo uma atividade lúcida, não pode invocar o fantasma de um saber absoluto ilusório” (Ibidem: 96). A lucidez relativa relaciona-se com dois aspectos: o primeiro é que o próprio objeto da práxis é o novo, que não se deixa reduzir a um decalque materializado de uma ordem racional pré-constituída; o segundo é que o próprio sujeito da práxis é transformado constantemente a partir da experiência na qual está engajado e que ele faz, mas pela qual ele é também feito.  
 
Projeto 
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“... though she managed to pick plenty of beatiful rushes as the boat glide by, there’s was always a more lovely one that she couldn’t reach. 
The prettiest are always further! – she said at last” (CARROLL, Op. Cit.: 180) 
 
Concordamos com Castoriardis ao pensarmos o Projeto como “o elemento da práxis (...) a intenção de uma transformação do real, guiada por uma representação do sentido desta transformação (...) O que é, a este respeito, o núcleo do projeto, é um sentido e uma orientação (...)” (Op. Cit.: 97). 
Para Testa (1997), os projetos deveriam operar como “analisadores” da situação. A escolha de prioridades poderia resultar da análise de vários fatores, dentre eles a análise histórica da instituição e dos campos de força dos interesses em jogo. As prioridades apareceriam assim como linhas de sentido. 
Trabalhando nessa linha, temos proposto, pensar o Planejamento em Saúde como dispositivo: aquilo propicia, faz advir (ONOCKO, 1998). Assim pensado, o planejamento resulta mais em uma exploração do dado que em uma aplicação de receitas tecnológicas prontas. Esta forma de encarar o planejamento ressalta o espaço do Projeto e relativiza o do Plano. 
 
“É preciso não confundir projeto e plano. O plano corresponde ao momento técnico de uma atividade (...) quando a ordenação recíproca dos meios e dos fins apoia-se sobre um saber suficiente do domínio em questão” (CASTORIARDIS, Op. Cit.: 97). Momento muitas vezes necessário, e possível de ser encarado se pensado como cristalização provisória.  
Enfatizamos que o subjetivo é próprio do projeto, como o técnico o é do plano. O momento que indaga o sentido, o para que das práticas, o momento em que posso desejar projetar(me) com os outros para transformar o real é do projeto. “O projeto visa sua realização como momento essencial” (CASTORIARDIS, Ibidem: 97). É este o momento mais complexo do ponto de vista da constituição da grupalidade, no qual consensos e representações diversas virão à tona, assim como conflitos e desencontros.  
O projeto tem permanência, o plano é uma figura fragmentária e provisória. 
 
Se tenho um projeto, passar dele ao plano resulta, aí sim, de uma aplicação técnica, depende de um saber prévio e é relativamente fácil de se conseguir. 
 
Reforma da clínica 
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“Begin at the beginning, the King said very gravely, and go on till you come to the end: then stop” (CARROLL, Ibidem: 113)  
 
Como trabalhar em planejamento, ajudando a formular projetos, desde a posição de práxis, sem admitir e estimular que os sujeitos que formulam esses projetos façam práxis na sua própria prática? A lucidez relativa a que se refere Castoriardis tem a ver com isso: na práxis, o sujeito faz a experiência na que está inserto e a experiência o faz. 
No caso dos serviços assistenciais de saúde (como os hospitais) pensamos que esta questão deve ser interrogada a partir da análise das formas de cuidados que ali se desenvolvem. Se tenho um projeto de mudança é porque avalio necessário mudar as formas de atendimento vigentes. 
 
Temos trabalhado a partir de Campos (1997) e sua formulação de clínica ampliada. Para este autor seria esta uma clínica que dialoga com outros saberes, e que ele contrapõe com os conceitos de clínica tradicional (fechada sobre si mesma e seus saberes prévios) e clínica degradada (queixa-conduta, a clínica dos pronto- atendimentos).  
 
Apoiando-nos nos trabalhos de François Dolto, temos proposto, que o planejamento em saúde se incumba de uma atitude frente à clínica (ONOCKO, 1999). Uma clínica preventiva. Uma clínica que se questiona, que não se prende a dogmatismos, que desafia suas fronteiras e se compromete com os resultados de sua prática. Uma clínica que preste contas e se abra, generosa, para que dela bebam outros, aprendendo.  
Em relação a os serviços de saúde, estender a prevenção e a promoção não deveria significar reduzir (o excluir) a clínica. Mas bem o contrário: contaminar a clínica de promoção e prevenção. E reconhecer que a prevenção se nutre de clínica. A taxa de mortes infantis por diarréias caiu estrepitosamente depois da introdução da reidratação oral. Reidratar é uma medida clínica. O estímulo à difusão desta técnica foi uma medida de Saúde Pública para a qual ganhou-se médicos, enfermeiros, auxiliares, etc. 
 
O quê tem a ver todo isto com o planejamento de serviços de saúde? A esta altura de meu próprio percurso, estou convencida de que um projeto de um serviço de saúde deve incluir uma proposta clínica. E esta questão parece-nos central à hora de discutir humanização, pois pensamos, que se a proposta de humanizar não ficar fortemente vinculada com a reforma das modalidades clínicas que se desenvolvem em hospitais será, provavelmente, banalizada, encarada como uma maquilagem superficial.  
 
Para conseguir repensar suas práticas os trabalhadores da saúde devem poder fazer pé em algum lugar. Apesar de sua pesada determinação técnica, a clínica manterá sempre a característica de ser um encontro singular. Merhy (1997) defende que o trabalho em saúde tem uma capacidade inexplorada de liberar trabalho vivo, o que sempre aconteceria “em ato”. Cabe abrir espaços de análise coletivos para interrogarmos juntos esse fazer em ato, indagando o quanto tem de trabalho criativo (vivo) ou de repetição estruturada tecnologicamente (trabalho morto). Indagar coletivamente os gradientes de autonomia criadora ou de alienação repetitiva presente nas práticas cotidianas. O processo de trabalho em saúde opera sobre o corpo e as mentes de pessoas concretas. O grau de objetualização nunca será absoluto, o desafio é reduzi-lo, alargando a possibilidade de encontros intersubjetivos. E isto é possível de ser tentado no contato direto com as pessoas envolvidas na assistência. A riqueza da análise do cotidiano, não pode ser substituída pelo envolvimento da gerência ou comissões, ainda que elas possam ser importantes para a viabilidade do processo.  
 
Pensamos que, se não implicamos no projeto as pessoas que trabalham na assistência direta, o risco é virar plano ou programa, e não projeto, na sua potencialidade de construir linhas de sentido para as práticas. Enxergamos como o maior desafio do projeto, precisamente o de virar projeto, ser agenciado, modificado e re-projetado pelos outros para poder assim projetar-se no cenário da saúde brasileira. 
 
“... thinking while she ran, as well she might. What a wonderful dream it had been” (CARROLL, Ibidem: 117). 
 
Bibliografia: 
 
* Campos, Gastão Wagner, 1987. Reflexões sobre a clínica. Campinas, mimeo.  
* __________________, 2000. Um método para análise e co-gestão de coletivos. A constituição do sujeito, a produção de valor de uso e a democracia em instituições: o método da roda. Tese de livre docência. Campinas, DMPS/FCM/ Unicamp  
* Carroll, Lewis, 1960. Alice’s adventures in wonderland & through the looking glass. New York: Penguin books. 
* Castoriardis, Cornelius, 1982. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.  
* Gadamer, Hans-Georg, 1997. Verdade e método. Petróplis: Editora Vozes. 
* Jullien, François, 1998. Tratado da eficácia. São Paulo: Editora 34. 
* Marx, Karl, 1985. O capital: crítica da economia política. Vol I, Livro Primeiro, Tomo 1; São Paulo: Edição Nova Cultural. 
* Merhy, Emerson, 1997. Em busca do tempo perdido: a micropolítica do trabalho vivo em saúde. In: Agir em saúde (Merhy & Onocko, orgs.) Pp:71-112. São Paulo: Hucitec. 
* Onocko, Rosana, 1998. O planejamento no divã ou análise crítica de uma ferramenta na gênese de uma mudança institucional. Dissertação de Mestrado, Campinas, DMPS/FCM/ Unicamp. 
* _____________, 1999. La clínica ese método olvidado por la salud pública. No prelo.  
* Testa, Mario, 1997. Análisis de instituciones hipercomplejas. In: Agir em saúde (Merhy & Onocko, orgs.) Pp:17-70. São Paulo: Hucitec.


 

Em breve









 
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