Definição de Grupos de Trabalho de Humanização
Os Grupos de Trabalho de Humanização Hospitalar definem-se como espaços coletivos organizados, participativos e democráticos, que funcionam à maneira de um órgão colegiado e se destinam a empreender uma política institucional de resgate dos valores humanitários na assistência, em benefício dos usuários e dos profissionais de saúde.
Objetivos dos Grupos de Trabalho
• No sentido geral, o objetivo dos Grupos de Trabalho de Humanização Hospitalar é conduzir um processo permanente de mudança da cultura de atendimento à saúde, promovendo o respeito à dignidade humana.
• No sentido mais específico, os objetivos dos Grupos de Trabalho de Humanização Hospitalar poderiam ser assim definidos:
• Constituir-se como espaço coletivo democrático, de escuta, análise, elaboração e decisão sobre os projetos de humanização;
• Promover um fluxo de propostas e deliberações;
• Avaliar os projetos em desenvolvimento e a serem desenvolvidos nas instituições em relação aos critérios de humanização e à sua eficiência na promoção da humanização;
• Dar apoio e ressonância às diversas iniciativas humanizadoras dentro do hospital, cuidando das articulações necessárias para sua sobrevivência, integração e ampliação;
• Trabalhar em colaboração com a gestão hospitalar;
• Conceber estratégias de comunicação e integração entre os diferentes setores (reconhecendo-se, ela própria, como um dos mais significativos instrumentos de integração existentes no hospital);
• Conceber formas de participação da comunidade, buscando os pontos de interseção com entidades da sociedade civil, com o poder público, e outras instituições;
• Organizar a oferta de trabalho voluntário ;
• Vincular-se a Rede Nacional de Humanização voltada para o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar;
• Estabelecer fluxo de propostas entre os setores das instituições de saúde, a gestão, os usuários e a comunidade;
• Acompanhar a construção de indicadores, o processo de avaliação e divulgação dos resultados.
Planos de Intervenção
O processo de intervenção dos Grupos de Trabalho de Humanização Hospitalar se expressa em quatro planos distintos:
• No plano pedagógico: contribuir para a educação continuada, promoção de eventos educativos, treinamento de áreas ou profissionais, divulgação de temas de interesse da coletividade.
• No plano político: propiciar a democratização das relações de trabalho, concedendo voz aos setores que normalmente não teriam condições de superar as barreiras de hierarquia e competência técnica. Para isso, deverá manter um relacionamento estrito com cada setor, ouvindo reclamações, sugestões e buscando soluções para problemas específicos.
• No plano subjetivo: sustentar um processo de reflexão contínua sobre as vivências no mundo do trabalho, o como e para quê se trabalha numa organização hospitalar.
• No plano comunicativo: criando fluxos de informações relevantes para profissionais, dando a conhecer os projetos de humanização em curso no hospital.
Etapa II - Criação do Grupo de Trabalho de Humanização Hospitalar
Nesta etapa, será criado um Grupo de Trabalho da unidade de saúde de orientação e condução do programa, composto por profissionais da alta direção, da área clínica e da área operacional do hospital.
A liderança dos trabalhos estará sob responsabilidade do Grupo de Trabalho criado na instituição. A coordenação, acompanhamento e monitoramento serão feitos pela dupla de profissionais de capacitação (multiplicadores), que manterá continuamente um trabalho de parceria com o Grupo de Trabalho constituído pelo hospital. Esta dupla estará, por sua vez, sob supervisão da equipe de coordenação do curso.
Composição do Grupo de Trabalho de Humanização Hospitalar, a começar pela lideranças
Identificação e engajamento das lideranças do hospital, as quais já possuam afinidade com o tema e se disponham a compor o Grupo de Trabalho de Humanização Hospitalar. Depois da discussão com todas as chefias, será feita a escolha de um grupo de lideranças (Grupo de Trabalho) que esteja espontaneamente inclinado a apoiar o Programa.
Discussão do tema no Grupo de Trabalho e identificação de mecanismos para promover um real comprometimento de todo o hospital com a nova política de humanização e uma participação ativa dos profissionais em disseminar o Programa.
Busca de estratégias de comunicação do Programa, com o objetivo de sensibilizar profissional e usuário.
Estão previstas reuniões dos multiplicadores com o Grupo de Trabalho, dos multiplicadores com os supervisores, e dos supervisores com o Comitê Técnico, para escolha das lideranças e discussão da forma de funcionamento do Grupo de Trabalho, identificação de mecanismos de comprometimento do hospital e estratégias de comunicação interna.
Etapa III - Elaboração do plano de ação
Nesta etapa, será elaborado o plano concreto de humanização de cada hospital, de acordo com as suas características e necessidades específicas.
Essa elaboração deverá adotar uma metodologia participativa, em duas direções necessariamente correlacionadas: a) humanização do trabalho do profissional de saúde (cuidar de quem cuida); b) humanização do atendimento ao usuário (cuidar do usuário).
Para identificação de problemas e oportunidades, estão previstas reuniões dos multiplicadores com o Grupo de Trabalho, dos multiplicadores com os supervisores, e dos supervisores com o Comitê Técnico.
E para o estabelecimento de prioridades e metas estão previstas reuniões dos multiplicadores com o Grupo de Trabalho, dos multiplicadores com os supervisores e dos supervisores com o Comitê Técnico.
Etapa IV - Implantação ampla do Programa
O desenvolvimento do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar implica necessariamente o fortalecimento de uma política de resgate do valor da vida humana, do cuidado ético para com ela e de valores fundamentais, como alteridade, respeito, coerência e responsabilidade social. Portanto, a implantação ampla do Programa deverá, especialmente, considerar a participação ativa e responsável do maior número de pessoas (profissionais e usuários) empenhadas, direta ou indiretamente, de forma que sejam respeitadas, ouvidas e valorizadas.
A elaboração, implantação e avaliação do Programa, feitas com a participação da comunidade, do profissional de saúde e da instituição hospitalar, representam o início da efetiva implantação de uma política de resgate do valor da vida humana e respeito por seu sofrimento e suas necessidades.
Na prática, isto começa a se efetivar quando a condução do Programa é feita pela liderança do hospital e coordenada pela dupla de capacitadores. A escolha de estratégias, recursos e áreas a atingir será organizada e realizada pelo Grupo de Trabalho, em cooperação com a dupla de capacitação. Nesta etapa, caberão a esta última a supervisão, a coordenação e o acompanhamento do processo, assim como o levantamento e o desenvolvimento de estratégias, técnicas e recursos de atuação.
Trabalhos já realizados mostram o valor de algumas estratégias possíveis de serem desenvolvidas em um trabalho conjunto do Grupo de Trabalho de Humanização Hospitalar e da dupla de capacitação. O conjunto de estratégias, a ser oferecido e desenvolvido pela dupla de capacitação, deverá focalizar, especialmente, as estratégias de humanização das condições de trabalho do profissional de saúde, as quais enfatizam o desenvolvimento de capacidades, tais como: facilidade de contato interpessoal, competência para interagir e comunicar-se, consideração dos aspectos emocionais presentes nas relações, auto-estima, empatia, respeito e comportamento ético.
As estratégias serão desenvolvidas em três níveis: 1) ao profissional de saúde; 2) ao usuário; 3) à instituição hospitalar.
|